A importância das viagens em busca da paz interior...

Depois de ter lido um artigo do escritor Ramiro Calle, quis partilhar, aqui, algumas afirmações que ele faz, com as quais também concordo..." A vida em si é uma viagem - que começa e acaba dentro de nós. A diferença entre o turista e o viajante, está na atitude; no estado de alerta sereno que permite conhecer, observar, ser observado... Enfim, toda a viagem é interior... Depois de centenas de viagens que fiz descobri a importãncia de manter a cabeça tranquila. Podemos ir a qualquer parte do mundo, mas se nós não estivermos calmos, não serve de nada". Decartes dizia "Penso logo existo", Ramiro Calle afirma "Quando não penso, existo mais". Neste sentido, desfrutar da cada momento, com consciência dos sentimentos, sem julgar, é um desafio diário...

Desvendar o Património das Aldeias do Xisto...

"Os Portáteis"

O Grupo "Os Portáteis" foi convidado para fazer a animação, na inauguração dos apartamentos, na antiga Escola da Aldeia Cimeira, no Concelho de Pampilhosa da Serra. Desta vez, foi dada oportunidade aos elementos da família dos músicos de participarem, foi um fim de semana de convívio muito divertido...

Desvendar o Património das Aldeias do Xisto é aventurar-se na descoberta de uma teia de emoções feita de história, religião, arquitectura, gastronomia, ecologia e cultura. Para a compreender, há que indagar como surgiram os nomes das aldeias, quando se estabeleceram as povoações. A arquitectura das casas de xisto é, por si só, património. O facto de termos conhecido Álvaro, uma dessas aldeias, ter falado com aquelas pessoas, ouvir as suas histórias, compreender as crenças e conhecer o seu património, foi uma mais valia...

A linda casa de Turismo Rural, A Casa dos Hospitalários, aonde pernoitamos, proporcionou-nos o contacto com uma paisagem invejável sobre o vale do rio Zêzere, considerado um dos mais belos vales fluviais portugueses.


A terapia da viagem...


"O mundo é um livro, e aqueles que não viajam leram apenas uma página",(Santo Agostinho). Eu acredito que dar um passo para fora da nossa área de conforto abre a nossa mente e o nosso coração para diferentes culturas, pessoas, lugares e coisas, dá-nos um melhor entendimento do mundo em que vivemos e de nós mesmos. Viajar tem a capacidade de estimular a imaginação e ajudar-nos a acreditar que qualquer coisa é possível. Se está à procura de tranquilidade ou quer uma dose de adrenalina, a viagem, quando escolhida corretamente, torna-se o ticket para uma jornada pessoal imperdível.

Para quê o viajar?

Porque, enfim, para quê o viajar? Todos os filósofos e todos os donos de hotéis são unânimes em dizer que se viaja para ver o que há de interessante no mundo. Ora, no mundo, só há de interessante, verdadeiramente, o Homem e a Vida. Mas para gozar a vida duma sociedade, é necessário fazer parte dela e ser um actor no seu drama: de outro modo, uma sociedade não é mais do que uma sucessão de figuras sem significação que nos passa diante dos olhos: Quando falo de sociedade não me refiro àquela que vem no High Life do Ilustrado: refiro-me às Sociedades, no plural e com S grande. Já o bom Flaubert falava da «melancolia das multidões estranhas». Essa melancolia é a mesma que se sente em vir de longe, para olhar para uma porta fechada. Quem for de Marco de Canavezes e queira gozar a vida, que fique em Marco de Canavezes, na Assembleia, na botica, e nos chás das Macedos! Se vier a Hyde Park ou aos Champs Elysées, vê só a Vida por fora, nos seus contornos exteriores. É como estar a mirar as paredes escuras de um teatro, onde se está a passar, por dentro e em grande luz, uma interessante comédia. Por isso, nós, os Portugueses, pessoas infinitamente filosóficas, chamamos ao viajar: andar por fora. Expressão perfeita e profunda. Andar por fora, que melancolia, que desconsolação, quando estar por dentro é que é o interessante! Dir-me-ão os donos dos hotéis e as companhias de caminhos de ferro que é necessário ir ver a Civilização. De acordo. Mas o que é a civilização de Paris? É o romance de Zola, e a descoberta de Pasteur, e o bom dito de Rochefort: e isso tudo vai ter connosco, onde quer que estejamos, pelo paquete. A melhor maneira de gozar a civilização, é ao canto do lume, de chinelas. Dir-me-ão ainda os donos dos hotéis que se devem admirar os monumentos e que Notre-Dame e Westminster são um elemento de educação. De acordo, estalajadeiros, de acordo! Para isso se inventou a fotografia. E, em resumo, meu querido Bernardo, grande foi a tua sabedoria em não querer andar por fora.
Eça de Queirós, in 'Correspondência'